cicatriz

não carrego correntes
nem amarro meus pulsos.
as horas, quando busco,
encontro-as no céu,
com os olhos desnudos.

não há furos em minha carne
nem tinta sobre a minha pele.
e nem aquela que me impele
e me imprimir num papel
me define

e é por tudo isso, enfim,
que eu não vejo em mim
um anel

mas há lembranças
que me ferem a alma
feito faca

não me deixam

e me pedem
que ao menos deixe
essas marcas

3 comentários:

  1. Acho digno...
    Lindo, sapinho!
    Beijos

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  2. Querido Daniel,
    Queria responder tua carta, te dar um abraço, mandar um pombo-correio com uma mensagem de puro pensamento.
    Resolvi olhar teu blog e te encontrei inteirinho,
    trazido pela poesia em vôo rasante, e logo fiquei a te olhar, rumo às estrelas.

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