gêiser

na bahia tem um dique onde flutuam os orixás
certa vez o meio dia impôs um só azul
da barriga dessa água subiu violenta flecha branca
quebrando a imposição, traindo a intensa luz
pra inventar uma mão de cores
antes do vermelho alcançar o violeta
na curva da queda da volta
um arco

quando a noite impôs mistério
eu sorri de doer a barriga
de cavar rugas na cara
de calar pro respiro
feito filme besta
com amigo bobo
planejei até uma festa
e de lembranças mágicas colori
o meu cansaço, desafiando a escuridão

enxergo fundo e além, ultrapasso a superfície
e só então eu fecho
a íris

3 comentários:

  1. Porra, Dan! Que poema bonito demais!

    ResponderExcluir
  2. Chego a ver a flecha saindo dos olhos, a palavra imagem e movimento. Gostei muito mesmo.

    ResponderExcluir
  3. A segunda estrofe especialmente tá ...
    Na moral mesmo...
    Brocou brocando tuuuuuuuudo!

    Ana Carolina

    ResponderExcluir